O missionário perguntou para o índio que estava com tudo à mostra:
- Você não tem vergonha de andar pelado?
O índio respondeu:
- Vergonha índio não saber!
O missionário se esforçou para dar uma resposta. Ele queria fazer o índio entender o que é "ter vergonha". Mas não conseguiu. Já cansado de ouvir o missionário, o índio pegou a canoa e foi embora balançando a benga.
Moral da história:
Os conceitos de ‘santidade’ e ‘santificação’ não cabiam nas tribos indígenas. Nem a ceroula de Aarão. Que os nossos índios tinham a ver com Moisés? Nada. As nossas índias andavam com a teta à mostra e os nossos índios não faziam muita questão de esconder o bilau. Os preceitos maliciosos de Jeovino não tinham vez.
Bom, eu sei que alguns dirão – aliás, repetirão, por que é isso o que fazem: “A lei de Deus está na consciência deles, e por essa consciência eles serão julgados.” Aí se pergunta: Qual ‘lei’? E de qual ‘Deus’? Dizem que se trata da ‘lei natural’. Ora, ora. Então por que não vivemos de acordo com essa lei? Por que lá no Éden o deus Jeovino tinha que maliciar a respeito do periquito e da periquita?
Reza a lenda que Adão e Eva se envergonharam um do outro ‘quando se deram por conta’ de que estavam nus da cintura pra cima e pelados da cintura pra baixo. Que estranho... Quer dizer então que a Janaína e o Tupiacã não são descendentes de Adão? Ah, sim, eles tornaram-se descendentes por obrigação dos nossos missionários! Aliás, os missionários viam ‘indecência’ no índio andar solto a balançar a benga e na índia a andar com as tetas à mostra. Só havia uma única coisa que os missionários viam de decente nos índios: o ouro.
Paz da perereca
3 comentários:
Capitão
O mais difícil de se entender é que já que o deus gospel os julgará pela lei que eles conhecem, pq pregar pra eles? ¬¬
Colocacao perfeita. Parabéns!!!!
fantástico! quem dera pelo menos a metade das pessoas pensassem como voce!
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