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| Agostinho, bêbado de Platão |
Primeiro Passo - Os religiosos condenam qualquer descoberta filosófica, científica, e qualquer inovação tecnológica. Tudo o que é novo ou diferente, os religiosos de plantão acusam de ser "do mundo", do "inimigo" ou, na melhor das hipóteses, de não ser "conveniente".
Segundo Passo - O que é novo e diferente ganha destaque na sociedade e acaba por influenciar sobremaneira a todos - moldando toda uma nova maneira de entender o mundo e de fazer parte do mundo. Isso também afeta os religiosos. "Nem tudo está errado", começam a dizer alguns. Dá-se início a uma "consideração do que é bom e do que é ruim". Aqui os religiosos começam a flertar com o que é considerado "do mundo".
Terceiro Passo - O que é do diabo começa a ser trazido para dentro do grupo religioso, mas com muito cuidado, bem devagarzinho... Novas práticas são produzidas. "Sim, nós podemos usar isso para anunciar a salvação aos pecadores". É a chamada "estratégia santa". Quem segue as novidades é visto pelos tradicionais como "herege" ou rotulado de "mundano". Muitos são perseguidos e expulsos por "darem ouvido ao demônio", e alguns chegam mesmo a serem mortos pelos representantes da "doutrina oficial".
Quarto Passo - Mas nada como o tempo para alimentar e fazer crescer uma heresia... O que antes era visto com maus olhos e com grande suspeita, agora começa a ser visto com bons olhos (principalmente porque "muitos morreram por essa verdade" - esse estranho argumento exerce uma influência surpreendente). Agora dá-se início a uma nova leitura: "Há muita semelhança entre o que cremos e com o que os de fora acreditam. Só precisamos separar uma coisa da outra." Isso até que vai bem na primeira geração de crentes; mas já na segunda, a separação "de uma coisa da outra" deixa de existir: a linha de distinção se perde, o que estava fora agora está dentro; o que era estranho ao corpo, agora faz parte.
Quinto Passo - É consolidada como "mistério de Deus" o que antes era visto como sendo do diabo. Os crentes que outrora foram perseguidos, expulsos ou mortos (porque eram tidos como hereges), agora são beatificados e canonizados pelos filhos dos assassinos. E aqui cria-se toda uma nova linguagem teológica para que a "nova visão" seja adaptada no seio da ortodoxia. O texto sagrado passa a ser traduzido tendo em vista à nova interpretação. Novos textos surgem para explicar o tal "mistério".
Sexto Passo - Começa-se a proclamar que essa nova teologia sempre foi a original, mas que, por conta da dureza de coração e "da ignorância daquele tempo", muitos não viram a luz. Nesse passo, é muito oportuno citar algum ou outro versículo bíblico para confirmar 'a presente verdade'. Que tal este? "A luz do justo é como a aurora, vai brilhando mais e mais até chegar o dia perfeito" - Provérbios 4:18.
Sétimo Passo - Se algum incrédulo apontar o dedo dizendo que tal falar fora dito pelos antigos pagãos, pelos incrédulos e infiéis, é só encarnar o Santo Agostinho:
- As verdades anunciadas pelos pagãos não devem ser temidas, mas reclamadas deles como de injustos possuidores. Tudo que é bom e verdadeiro pertence ao nosso Deus e a nós, os seus filhos.
Pronto. Agora é só passar óleo de peroba.
Paz do Pinóquio

3 comentários:
O quinto passo parece que é usado a bastante tempo. Vejamos por exemplo o que é dito em Lucas 11, 47-48.
Net, deu pra ver várias coisas!! O tempo todo acontece isso!!
Eu estava lendo achando que você falava da atual Igreja mas este texto é inspirado na antiga, porem quanto mais a Igreja evolui mais se torna Hipócrita.
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