.comment-link {margin-left:.6em;}

Fantoche Livre

Nome: Netanias Alves Lima
Local: Brazil

A carta imprevisível do seu baralho.

Domingo, Dezembro 27, 2009

Barbatanas de Jesus!

Eu estava hoje na praia quando dei pulo, tamanho foi o susto, ao ver um bichinho muito pequeno, e deveras incomum, o qual eu nunca tinha visto, se mexendo na areia.


Cinzento escuro, carapaça reluzente, patas ligeiras e antenas inquietas. O bicho pareceu-me ter saído do cruzamento de uma barata com um camarão! Pirei. Fiquei olhando o danado e comecei a brincar com ele na areia esquentada pelo sol das duas.

É incrível a diversidade de espécies na natureza! Eu que adoro conhecer lugares e conhecer tudo o que chega aos meus olhos, quanto mais aprendo, mais me espanto. A vida é mágica!

Mas, vem, cá. Por que nós nos julgamos tão em alta conta em detrimento dos animais, das pedras e das plantas? Tá. Eu sei. Construimos o avião e a bicicleta. Mas temos o direito de imaginar um céu só para nós? Cadê o céu dos coelhos e dos lagartos?

Um dia eu estava conversando com um evangélico. Falei pra ele: Nós somos muito bons, não? Por isso que no céu não vai ter nem cachorro e nem gato. Ai, ai. Que céu mais chato!

E a reencarnação é só para os humanos? Eu gostaria tanto de me reencontrar com Dahx, o meu cachorrinho!

Sábado, Dezembro 26, 2009

Carta aberta dos ateus ao presidente Lula

Carta divulgada pela ATEA (Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos) a qual apregoa que somente um estado verdadeiramente laico pode trazer liberdade religiosa verdadeira, através da igualdade plena entre religiosos de todos os matizes, assim como entre religiosos e não-religiosos de todos os tipos, incluindo ateus e agnósticos.

Caro presidente

o senhor chegou ao poder carregado pela bandeira de uma sociedade mais justa e mais inclusiva. O uso da palavra "excluídos" no vocabulário das políticas públicas tem o mérito de nos lembrar que as conquistas de nossa sociedade devem ser estendidas a todos, sem exceção. Sim, devemos incluir os negros, incluir as mulheres, incluir os miseráveis, incluir os homossexuais. Mas, presidente, também é preciso incluir ateus e agnósticos, e todos os demais indivíduos que não têm religião.

Infelizmente, diversas declarações pessoais suas, assim como políticas do seu governo, têm deposto em contrário. Ontem mesmo o senhor afirmou que há "muitos" ateus que falam sobre a divindade da mitologia cristã quando estão em perigo. Ora, quando alguém diz "viche", é difícil imaginar que esteja pensando em uma mulher palestina que se alega ter concebido há mais de dois mil anos sem pai biológico. Com o tempo, algumas expressões se cristalizam na língua e perdem toda a referência ao seu significado estrito. Esse é o caso das interjeições que são religiosas em sua raiz, mas há muito estão secularizadas. Se valesse apenas a etimologia, não poderíamos nem falar "caramba" sem tirar as crianças da sala.

Sua afirmação é a de quem vê “muitos” ateus como hipócritas ou autocontraditórios, pessoas sem força de convicção que no íntimo não são descrentes. Nós, membros da Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos, não temos conhecimento desses ateus, e consideramos que essa referência a tantos de nós é ofensiva e preconceituosa. Todos os credos e convicções têm sua generosa parcela de canalhas e incoerentes; utilizar os ateus como exemplo particular dessas características negativas, como se fôssemos mais canalhas e mais incoerentes, é uma acusação grave que afronta a nossa dignidade. E os ateus, presidente, também têm dignidade.

Duas semanas atrás, o senhor afirmou que a religião pode manter os jovens longe da violência e delinqüência e que “com mais religião, o mundo seria menos violento e com muito mais paz”. Mas dizer que as pessoas religiosas são menos violentas e conduzem mais à paz é exatamente o mesmo que dizer que as pessoas menos religiosas são mais violentas e conduzem mais à guerra. Então, presidente, segundo o senhor, além de incoerentes e hipócritas, os ateus são criminosos e violentos? Não lhe parece estranho que tantos países tão violentos estejam tão cheios de religião, e tantos países com frações tão altas de ateus tenham baixíssimos índices de criminalidade? Não é curioso que as cadeias brasileiras estejam repletas de cristãos, assim como as páginas dos escândalos políticos? Algumas das pessoas com convicções religiosas mais fortes de que se tem notícia morreram ao lançar aviões contra arranha-céus e se comprazeram ao negar o direito mais básico do divórcio a centenas de milhões de pessoas. Durante séculos.

O mundo realmente tinha mais paz e menos violência quando havia mais religião? O despotismo dos soberanos católicos na Europa medieval e a crueldade dos feitores e senhores de escravos no Brasil-colônia vieram de pessoas religiosas em um mundo amplamente religioso que violentava povos e mentes em nome da religião. O mundo não tinha mais paz nem menos violência naquela época, como o sabem muito bem os negros e índios.

Não eram católicos os generais da ditadura contra a qual o senhor lutou, e o seu exército de torturadores? Não haveria um crucifixo nas paredes do DOPS onde o senhor foi preso? A base dos direitos individuais invioláveis pela qual o senhor tanto lutou são as democracias modernas, seculares e laicas, e não os regimes religiosos. Tanto a geografia como a história dão exemplos claros de que mais religião não traz mais paz nem menos violência.

A prática de diminuir, ofender, desumanizar, descaracterizar e humilhar grupos sociais é antiga e foi utilizada desde sempre para justificar guerras, perseguição e, em uma palavra, exclusão. Presidente, por que é que o senhor exclui a nós, ateus, do rol de indivíduos com moralidade, integridade e valores democráticos?

No Brasil, os ateus não têm sequer o direito de saberem quantos são. O Estado do qual eles são cidadãos plenos designa recenseadores para ir até suas casas e lhes perguntar qual é sua religião. Mas se dizem que são ateus ou agnósticos, seus números específicos lhes são negados. Presidente, através de pesquisas particulares sabemos que há milhões de ateus no país, mas o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, que publica os números de grupos religiosos que têm apenas algumas dezenas de membros, não nos concede essa mesma deferência. Onde está a inclusão se nos é negado até o direito de auto-conhecimento? Esse profundo desrespeito é um fruto evidente da noção, que o senhor vem pormenorizando com todas as letras, de que os ateus não merecem ser cidadãos plenos.

Presidente, queremos aqui dizer para todos: somos cidadãos, e temos direitos. Incluindo o de não sermos vilipendiados em praça pública pelo chefe do nosso Estado, eleito com o voto, também, de muitos ateus, que agora se sentem traídos.

Presidente, não podemos deixar de apontar que somente um estado verdadeiramente laico pode trazer liberdade religiosa verdadeira, através da igualdade plena entre religiosos de todos os matizes, assim como entre religiosos e não-religiosos de todos os tipos, incluindo ateus e agnósticos. Infelizmente, seu governo não apenas tem sido leniente com violações históricas da laicidade do Estado brasileiro, como agora espontaneamente introduziu o maior retrocesso imaginável nessa área que foi a assinatura do acordo com a Sé de Roma, escorado na chamada lei geral das religiões.

Ambos os documentos constituem atentado flagrante ao art. 19 da Constituição Federal, que veda “relações de dependência ou aliança com cultos religiosos ou igrejas”. E acordos, tanto na linguagem comum como no jargão jurídico, são precisamente isso: relações de aliança. Laicidade, senhor presidente, não é ecumenismo. O acordo com Roma já era grave; estender suas benesses indevidas a outros grupos não diminui a desigualdade, apenas a aumenta. Nós não queremos privilégios: queremos igualdade e o cumprimento estrito da lei, e muitos setores da sociedade, religiosos e laicos, têm exatamente esse mesmo entendimento.

Além de violar nossa lei maior, a própria idéia da lei geral das religiões reforça a política estatal de preterir os ateus sempre e em tudo que lhes diz respeito como ateus. Com que direito o Estado que também é nosso pode ser seqüestrado para promover qualquer religião em particular, ou mesmo as religiões em geral? Com que direito os religiosos se apossam do dinheiro dos nossos impostos e do Estado que também é nosso para promover suas crenças particulares? Religião não é, e não pode jamais ser política pública: é opção privada.

O Estado pertence a todos os cidadãos, sem distinção de raça, cor, idade, sexo, ideologia ou credo. Nenhum grupo social pode ser discriminado ou privilegiado. Esse é um princípio fundamental da democracia. Isso é um reflexo das leis mais elementares de administração pública, como o princípio da impessoalidade. Caso aquelas leis venham de fato integrar-se ao nosso ordenamento jurídico, os ateus se juntarão a tantos outros grupos que irão ao judiciário para que nossa realidade não volte ao que era antes do século retrasado.

Presidente, por tudo isso será que os ateus não merecem inclusão sequer em um pedido de desculpas?

Segunda-feira, Dezembro 21, 2009

Quebrando ondas


Ausente do meu mato, há oito dias. Conhecendo gente nova, novas paisagens, novas águas e novos sabores. Viajar é muito bom. Seja com destino certo ou por louca aventura.

Beijos para todos! Até o ano que vem!


Sexta-feira, Novembro 27, 2009

Diletâncias musicais - I

Ao chegar da cidade, minha mãe logo me avisou que alguém tinha me ligado. Corri pra ver a caixa de mensagens para ver qual era a boa alma. Não consegui identificar. Retornei a ligação.

– E aí, Net? Firmeza?
– Tudo indo. Manda aí.
– Eu liguei, mas você não estava. Eu toco batera e gostaria de tocar com você.
– Beleza, cara. Vamos combinar o seguinte...

A conversa se estendeu. No final, ficamos acertados no dia e no horário.

E lá cheguei, após três horas de busão lotado. Toco a campainha na casa, a porta abre e uma mulher velha e gorda de cara azeda vem me atender. Feitas as formalidades básicas, fico sabendo que se trata da mãe do batera.

– Péra um pôco que vô chamá.

Chá de espera de dez minutos. Finalmente o messias apareceu. E, ao lado dele, uma moça feia com o rosto cheio de sardas e espinhas em erupção. O messias estava com cara de desanimado. Olhou de lado como que buscasse achar alguma coisa no chão e disse:

– Nossa..., aconteceu um imprevisto. Vou ter que ir agora ao shopping.

Em momentos assim eu fico cheio de verdades e sem saber por onde começar a cortar o maldito. Engoli seco e disparei:

– Cara, vê se esquece a Música. Ou então troque de namorada.

Olhei bem a cara assustada dos dois, dei as costas e fui embora.

Fala sério! Depois essa gentinha reclama das "oportunidades da vida".

Próximo!

Quinta-feira, Novembro 19, 2009

Perfil original do (trigésimo) Orkut

Nem sei quantas vezes já exclui meu perfil original do Orkut. Foram tantos perfis feitos e excluídos! Mas juro que foi a última vez. Grato, Orlério! Bom, o que se segue era o que estava escrito no recém finado perfil.

Entre ídas e vindas no Orkut, ao longo de cinco anos, escolhi fazer um perfil que fosse exclusivo aos contatos de parceria profissional.

Pois bem, se você é músico e, se você tem interesse em me adicionar, veja antes se este é o seu fiel retrato:

- Ter em si a compreensão de que “se a Música não existisse, a vida seria um erro” (Nietzsche).

- Ter o ideal de se profissionalizar na Música.

- Querer tocar em uma banda.

- Apreciar, no mínimo, classical, easy listening, jazz, blues e fusão de gêneros musicais.

- Estar aberto a construção de novas linguagens musicais.

- Ter espírito de equipe.

- Que esteja livre de qualquer 'sorte' de impedimento ou oposição.

- Que não seja usuário de drogas ilegais. Com relação as demais drogas, que possa ter atitudes moderadas.

- Que goste de viajar.

- Que adore ouvir e tocar música instrumental.

- Que saiba ou que tenha vontade de aprender a ler e interpretar pauta para o seu instrumento.

- Que tenha seu próprio instrumento.

(Ah, sim, não precisa ser um 'expert' no seu instrumento, o que importa é ter uma imensa vontade de tocar e aprender.)

Se viu no espelho? Se sua resposta for positiva, não hesite em me adicionar. =)

Mas, se a sua resposta for um "não" ou um "mais ou menos", então passe amanhã. :D

Segunda-feira, Novembro 09, 2009

De fato

Eu sou
E me torno
No que queres
No que imaginas

E me faço
E confirmo
No seu olhar
No seu espelho

Mas eu sou meu
(só meu)
E de quem eu mais querer

Eu me conheço
(só eu)
E a quem eu fizer saber

De fato
O que faço
E o que sou
Só eu sei
(e você)

Domingo, Novembro 01, 2009

Perdido em Vênus

Se arder
De desejo
Em um aceno
Em um olhar

Sonhar
Ao sorrir
Suar frio
Ao te tocar

O impulso
A cautela
A pressa
E o pé no chão

Domingo, Outubro 04, 2009

Atual momento - I

O que ouço: Jimi Hendrix e Infected Mushroom.

O que leio: Videologias, um livro muito bom de Eugênio Bucci e Maria Rita Kehl, publicado pela Boitempo.

O que faço: agricultura e venda de hortaliças (o que me consome quatro horas por dia), produção e arranjos musicais (por doze horas felizes de cada bendito dia). Em alguns fins de semana, saio para ver “a vida lá fora”.

O que espero: Dar forma sonora a três repertórios (solo, trio e quarteto).

Quarta-feira, Setembro 16, 2009

Barbie do mal

Tenho treinado a minha mente para não me surpreender com mais nada que venha da gentinha crente. Mas não dá. Há sempre um caso diferente para ver ou ouvir, e alguns, de tão loucos que são, põem a gente até na mais firme incredulidade: será mesmo isso verdade? E tudo por que eu sempre estou nas nuvens, vendo ou imaginando o melhor das pessoas e das coisas.

Como vocês sabem, eu tenho uma irmã atéia que vai todos os domingos a igreja para agradar o maridão crente. Mas é fato que ela compartilha da mesma espécie de humor que nós temos. Ela adora ver, ouvir e ler coisas crentes para depois contar e cair na risada.

Minha irmã estava me contando de uma reunião de "jovens senhoras casadas" em que conversavam sobre "educação infantil". E o assunto em pauta era "os brinquedos adequados para os nossos filhos".

- Eu não compro mais nenhuma boneca para minha filha. Ela estava tendo pesadelo de noite. Ben 10 pro Gu (um moleque pentelho) nem pensar! Ele fica muito agitado, nem deixa a gente assistir o culto em paz (e é verdade, o moleque é o capeta - fica subindo e pulando dos bancos e arrastando as cadeiras na hora da pregação).

Uma crenta, daquelas que tem a revelação na ponta da língua, afirmou que a boneca deveria ser queimada por que um demônio estava nela alojado para "perturbar o ambiente". E decidiram cortar os desenhos animados. (Só se forem histórinhas da Bíblia.)

Mas o mais surpreendente foi a censura que se estabeleceu para com a Barbie, a boneca loira.

- Eu não dou uma Barbie pra minha filha, por que a Barbie é muito bonita. Vai que a menina começa... sabe?

E minha irmã quase em desespero:

- Que é que estou fazendo aqui?!

Segunda-feira, Setembro 14, 2009

Os cretinos

Existe ofensa pior que ser chamado de cretino? Incapaz, sem talento, estúpido, louco, sem cérebro - tudo isso está contido no pacote cretino. Quando você chama alguém de cretino, você está colando na testa do indívíduo uma série de atributos nada desejáveis (ao menos para os que não reconhecem a loucura como uma dádiva dos deuses).

Mas nem sempre foi assim. Outrora, ser cretino era sinal de boa distinção social:

- Olha lá o Sr. Smith indo para a igreja. Ele é um cretino.

- Nossa, hein? Eu nunca vi homem mais cretino que ele!

- Louvado seja Deus! Que haja mais cretinos como o Sr. Smith.

Entenda-se: cretino = cristão. Era o tempo em que cretino não tinha o pejorativo que temos hoje. Como assim? Genealogia das palavras. Cretino, oriundo do francês crétin, que precedia do castelhano chrétien que significa cristão, que por sua vez - por algum motivo inteligente - passou a significar incapaz, sem talento, estúpido, louco e sem cérebro. Que coisa, não?

As palavras mudam de sentido com o passar dos tempos. É tão possível congelar o dicionário quanto congelar a língua do povo. As palavras não ficam quietas, elas sempre estão se enfeitando. E algumas sempre por uma boa razão, não acham?